Quando havia pressão, ele desaparecia.
Não literalmente.
Continuava presente. Nas reuniões, no escritório.
Mas fechava-se.
Monossilábico.
Olhar fixo no computador.
Respostas curtas, sem contexto.
Porta do escritório fechada — quando antes estava sempre aberta.
Para ele, era a forma de se concentrar.
De resolver os problemas sem distrações.
Para a equipa, era um sinal de alarme.
Quando o líder fecha, a equipa interpreta.
“Estamos em apuros.”
“Ele sabe de algo que nós não sabemos.”
“Melhor começar a ver outras opções.”
O silêncio do líder raramente é neutro para quem está à volta.
Neste caso, dois dos melhores colaboradores começaram a recrutar-se ativamente no mercado.
Não porque o negócio estivesse mal.
Porque o silêncio do líder lhes dizia que estava.
O comportamento que o protegia… estava a destruir a confiança da equipa.
O que trabalhámos:
- Ressignificação do silêncio
O primeiro passo foi perceber de onde vinha esse padrão.
Fechar era uma estratégia que tinha funcionado muito bem… noutros contextos.
Quando era individual contributor.
Quando a solução dependia só dele.
Mas como líder, o contexto mudou.
O silêncio já não era concentração — era comunicação não intencional.
Ressignificar não é mudar quem és.
É perceber quando uma estratégia que funcionava… deixou de ser útil.
- Comunicação mínima mas consistente
Não pedimos que deixasse de se concentrar.
Pedimos um gesto simples nos momentos de pressão:
“Estou a resolver uma situação. Não precisam de se preocupar — atualizo-vos ainda hoje.”
Trinta segundos.
Que evitam horas de especulação.
E dias de desmotivação.
A equipa não precisa de saber tudo.
Precisa de saber que o líder está a conduzir.
A diferença entre um líder que fecha e uma equipa que se une na crise…
está muitas vezes numa única frase bem dita.
Se quiseres trabalhar os teus estados internos com esta profundidade…
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Miguel Beirão