Esta semana sentei-me com um cliente.
CEO 25 anos de empresa. Homem de experiência.
O responsável financeiro entrou no escritório com um email na mão.
“Os pagamentos a fornecedores estão com mais de um mês de atraso.”
Ele ouviu e respondeu de imediato:
“Isso é impossível. A empresa tem uma saúde financeira excelente.”
O financeiro abriu o computador.
Mostrou as contas bancárias.
Quase a zero.
O CEO ficou em silêncio.
Depois perguntou:
“Mas onde está o dinheiro? Fomos roubados? Houve desvios?”
Não havia roubos.
Não havia desvios.
No final do dia tiveram a resposta.
As vendas tinham caído 20%. O stock tinha duplicado.
O dinheiro estava nas prateleiras. Parado. Sem se mover.
Em forma de produto que ninguém estava a comprar.
E ninguém tinha dado por isso.
Porque não havia nenhum indicador que avisasse.
Isto não é um problema de gestão financeira.
É um problema de visibilidade.
A empresa funcionou durante meses sem que ninguém visse o que estava a acontecer.
As pessoas apareciam.
Trabalhavam.
Faziam o seu trabalho.
Mas ninguém sabia que o barco estava a encher de água. E sabe porquê?
Porque aquilo que não se mede… não existe.
Até ao dia em que explode.
A solução não é contratar mais um controller financeiro.
É construir um sistema de indicadores críticos que alerta antes de a casa pegar fogo.
É aqui que entram os OKRs.
OKR significa Objectives and Key Results — Objetivos e Resultados-Chave.
É o sistema que empresas como Google, Intel e Amazon usam para ligar o trabalho do dia a dia à visão de longo prazo. E que pode ser usado por qualquer tipo de empresa.
Não é um relatório mensal.
Não é uma reunião de balanço.
É um radar ligado.
Que avisa.
Antes de a conta ir a zero.
Como implementar OKRs em 5 passos
1 — Define o Objetivo (O que queremos alcançar?)
O objetivo tem de ser claro, inspirador e com prazo.
Não é “melhorar as vendas”.
É “ser a empresa de referência no setor em Portugal até ao final do ano.”
Um bom objetivo responde a esta pergunta:
“Se alcançarmos isto, saberemos que estamos no caminho certo?”
2 — Define os Resultados-Chave (Como sabemos que estamos a avançar?)
Cada objetivo tem 3 a 5 resultados-chave.
São mensuráveis. São concretos. Ou chegaste ou não chegaste.
Exemplo:
— Objetivo: Ter fluxo de caixa saudável e previsível
— KR1: Stock não ultrapassa 30 dias de rotação
— KR2: Contas a receber pagas dentro de 45 dias
— KR3: Margem operacional acima de 15% em cada mês
Se aquele CEO tivesse o KR1 definido… teria visto o problema 3 meses antes.
3 — Alinha os OKRs com a visão da empresa
Este é o passo que a maioria salta.
Os OKRs têm de responder a uma visão. Caso contrário são só números numa folha.
Pergunta-te:
“Este indicador serve para nos aproximar de onde queremos estar? Ou é só ruído?”
Métricas sem visão são como GPS sem destino.
Sabes a velocidade a que andas. Mas não sabes para onde.
4 — Torna os OKRs visíveis para toda a equipa
Um OKR que só o CEO vê não é um OKR. É um segredo com uma fórmula matemática.
Coloca os indicadores em painéis visíveis.
Nas reuniões semanais.
Nos check-ins mensais.
Quando todos veem… todos ajustam.
Quando só um vê… o barco pode estar a afundar e ninguém sabe.
5 — Revê e atualiza — todos os trimestres
Os OKRs não são para durar para sempre. São para guiar por um período.
A cada trimestre:
— O que alcançámos?
— O que falhou?
— O que mudou na realidade que nos obriga a ajustar o rumo?
Um bom sistema de OKRs não é perfeito. É honesto.
—
Para refletires esta semana
Se acontecesse hoje o que aconteceu ao meu cliente…
quanto tempo levarias a descobrir?
Uma semana? Um mês?
Já tinha acontecido e ainda não sabes?
O problema não foi a crise. O problema foi não ter tido aviso.
E isso tem solução.
Chama-se visibilidade.
Chama-se alinhamento.
Chama-se OKRs.